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Tradições


A Língua Mirandês

O mirandês, que se fala em Picote, constitui um dos mais ricos e vivos elementos de ligação com o passado histórico da região. Esta língua evoluiu a partir do latim vulgar falado no final da Idade Média, derivando dos falares asturo-Ieoneses, o que revela bem as ancestrais relações culturais e económicas com esta região e o relativo Isolamento em que as terras de Miranda viveram durante séculos face às restantes regiões portuguesas. Mas são as características próprias da língua que lhe garantem a sobrevivência e evolução, diferenciando-a bastante das restantes do grupo asturo-Ieonês. O enraizamento da língua mirandesa reflecte-se na variedade de situações em que é usado, no vocabulário e na toponímia que recentemente foi transposta para as placas dos nomes das ruas da freguesia. Como exemplo leia-se esta quadra de esconjuro dos malefícios da trovoada: «Reten-te nubrada / Pa la tiêrra de Sayago / Cun tue mulhier barbuda /1 tue perrica aguda».

Festas e tradições
As festas de Santo Cristo e de Santa Bárbara, actualmente celebradas no mês de Agosto são as festas religiosas locais mais importantes. Diversas outras de raiz profana estão hoje associadas ao calendário religioso, como e o caso da monumental fogueira de Natal que durante dias arde no largo principal, consumindo lenha recolhida às escondidas e a coberto da noite pelos rapazes solteiros. Na passagem de ano é de tradição atravancar as ruas com objectos de grande dimensão: arados, carros de bois, etc. A matança do porco sempre foi um momento alto na vida, doméstica, em que se repete um ritual ancestral que culmina numa refeição em que se comem algumas partes do próprio animal em saborosíssimo cozinhado, sendo tudo o resto conservado em salmoura ou em fumeiro. Em todas as ocasiões festivas havia e há danças de roda ou dos pauliteiros, acompanhadas por cantares e música com Instrumentos tradicionais: bombo. caixa de guerra, flauta e gaita de fole. As roupas e adornos coloridos, bem como os jogos de força ou de destreza constituíam uma marca social das festas. Algumas tradições musicais estão ligadas aos próprios trabalhos agrícolas, durante os quais se cantava como na segada ou cardando o linho. Nos longos serões de Inverno eram também contados e cantados romances históricos ou de encantar, multo apreciados.

Gastronomia
A alimentação tradicional esta associada às culturas agrícolas de tipo mediterrânico, como os cereais, a azeitona, a castanha, a uva, a amêndoa e os produtos hortícolas, da época ou de longa conservação, sobretudo a batata, a cebola e os diferentes tipos de feijão, mas também os vegetais sazonais de crescimento espontâneo, como os espargos, as beldroegas e os cogumelos. Estes produtos constituem a base da alimentação diversificada nos componentes e nos preparos, marcadas pelo uso abundante do azeite, do pão e das carnes de porco, de cordeiro, de vaca, de aves e de caça geralmente assadas na brasa, apenas com tempero de sal. O fumeiro de carnes de porco em enchidos ou curadas, constitui um recurso alimentar disponível ao longo do ano e de grande variedade de sabores.